Recolha de Resíduos Orgânicos. Uma necessidade urgente.

reciclagem do lixo orgânico
A recolha de resíduos orgânicos é uma necessidade urgente.

Não sei porque é que em Portugal ainda não temos recolha de resíduos orgânicos.

Quando atravesso a fronteira para Espanha, ali logo na fronteira em Ayamonte, encontro em todos os pontos de recolha de lixo depósitos para resíduos orgânicos. Por cada depósito de lixo indiferenciado, existe pelo menos um depósito para resíduos orgânicos.

Mas, num país em que, em tempo de seca, vejo pessoas lavar escrupulosamente o passeio público com todo o tipo de detergentes que escorrem para as águas pluviais, e até  despejar no canteiro público que está mais perto, o balde com detergente - perante a indiferença geral e sobretudo das autoridades responsáveis - já nada me espanta!

Num país em que muitos restaurantes e lojas, ainda colocam as embalagens de papel e plástico para o depósito de lixo indiferenciado, mesmo quando têm um depósito próprio para cada um desses materiais, ao lado do local onde os depositam.

Num país onde as autarquias ignoram sistematicamente estes problemas e o que fazem é - perante o incumprimento - acrescentar mais contentores de lixo indiferenciado, nesses locais, em vez de ter um comportamento pedagógico.

lixo reciclável em contentores indiferenciados
Acrescentar contentores de lixo indiferenciado não me parece a melhor solução.

Reciclar apenas 30% do nosso lixo, não basta!

Se é compreensível, que os nossos governantes e autarcas não tenham sensibilidade para este assunto, não é no entanto aceitável, que nos resignemos perante esta medíocre realidade! 

Num país com estas características, não podemos esperar governantes interessados em resolver o problema da recolha dos restos domésticos de matéria orgânica. 

E este panorama não é aceitável, porque falamos de um país, onde as autarquias desperdiçam, milhões de euros em fundos europeus, com projectos muito menos relevantes para o bem-estar da população.

A população urbana deveria  exigir das autarquias os serviços básicos, como a separação de resíduos orgânicos.

Mas a culpa não é só das autarquias, a culpa é de todos nós, porque não nos auto-educamos para ser conscientes da nossa responsabilidade para com as gerações futuras e não nos interessamos por saber o que acontece ao nosso lixo, nem os impactos que ele tem na nossa saúde.

Todos os dias são desperdiçadas toneladas de restos alimentares.

Todos os dias são desperdiçadas toneladas de restos alimentares.
Estes restos alimentares, vão para um aterro ou serão incinerados. Acha bem?

E todos os dias os nossos agricultores, são obrigados a comprar, toneladas de compostos para melhorar o solo, muitas vezes provenientes do estrangeiro.

Entretanto o que fazemos nós com a matéria-prima essencial para produzir o nosso próprio composto? Deitamo-la em lixeiras !

Gastamos o dinheiro dos contribuintes a aumentar o tamanho e o número de aterros sanitários, onde misturamos, alimentos com embalagens de medicamentos, embalagens de detergente e toda a espécie de resíduos!

Temos que combater as causas e não as consequências

Isto não é próprio de um país que se diz preocupado com as alterações climáticas!

Isto é próprio de um país que se diz preocupado com os fogos do verão passado!

E pior, isto afecta muitíssimo a qualidade de vida e segurança de todos nós!

Se nós, cidadões, estamos realmente empenhados em combater as alterações climáticas, que provocaram os incêndios do verão passado, é mais urgente começarmos a repôr no solo a vida, e a humidade, que dele retiramos, do que avançar com a limpeza das bermas e o corte de árvores a torto e a direito - só para evitar que ardam!

Porque isto não são restos alimentares, isto é vida!

E é com vida que se combate a morte dos solos e os incêndios, não é com leis que geram o pânico e promovem o uso massivo e indiscriminado de herbicidas, como o glifosato.

compostagem caseira dos restos alimentares.
Estes restos alimentares, vão ser compostados, e fertilizar uma horta caseira.

Mas se isto não fossem razões suficentes, para começarmos todos a compostar os nossos restos alimentares, há ainda outra, que é a falta de alternativas saudáveis.

A incineração produz partículas que são tóxicas e, mesmo que esse ar seja filtrado, de forma rigorosa, como nos asseguram, antes de ser disperso na atmosfera, sobram os filtros e as partículas contaminadas e, além disso, não nos podemos esquecer que há pessoas a trabalhar nas incineradoras.

A outra alternativa que é a deposição em aterros sanitários, é ainda menos saudável, porque os restos alimentares na ausência de oxigénio, ao degradarem-se produzem metano.

Como a Europa trata os seus Resíduos:

Como Portugal trata os seus Resíduos:

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Mariana Barbosa
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