A Agricultura Local e Familiar é mais Sustentável

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A Agricultura Local e Familiar é mais Sustentável | Reforma Agrária

Hoje falando com um agricultor, de uma quinta com localização privilegiada, na periferia de uma grande zona urbana, ouvimos pela enésima vez, a mesma queixa, reiterada por todos aqueles que em Portugal, contra todos os ventos e marés, nacionais e europeias, resistem e insistem em manter as suas produções agrícolas sustentáveis e não se rendem aos benefícios da agro-indústria, nem à pressão das burocracias instituídas - em descarado benefício da concentração da terra e da capacidade de produção alimentar, nas mãos de grandes grupos económicos e até de fundos internacionais - cujo objectivo primordial não são as pessoas, nem o ambiente, mas sim o lucro! Acima de qualquer outro objetivo...

A Agricultura Local e Familiar é mais Sustentável

A agricultura local e sustentável, consegue produzir alimentos de qualidade, sem contaminar o solo, o ar ou a água - que são o suporte essencial a todas as formas de vida no planeta.

Além disso, estes agricultores têm um papel vital na preservação da diversidade e da nossa liberdade alimentar.

Pois tem como objetivo principal, conciliar a prática de uma agricultura rentável, com a sustentabilidade do solo.

Além disso, estes agricultores têm um papel vital na preservação da diversidade e da nossa liberdade alimentar.

Sem eles, muito mais fogos haveria, em muitas zonas do país e teríamos acesso a muito menos variedade de frutas e legumes locais.

Quando desaparecem as explorações agrícolas locais, o que surge são monoculturas intensivas e um mar de estufas.

"os excedentes  da nossa produção familiar, não se conseguem colocar nos mercados ou são colocados em condições tão más, que nem dá vontade de os entregar."

Tal é a falta de respeito actual, para com os produtores agrícolas, que dizem-nos todos os mesmo: "os excedentes  da nossa produção, não se conseguem colocar no mercado ou são colocados em condições tão más, que nem dá vontade de os entregar." 

O abandono das pequenas propriedades agrícolas, por falta de vontade política para a sua viabilização económica, de forma sustentável, está a promover transferência da propriedade do solo - e por consequência, da responsabilidade pela qualidade dos nossos aquíferos e do nosso ar, para a mão de multinacionais, cada vez mais globais, ou até de fundos imobiliários internacionais - que uma vez esgotados os recursos naturais, e na falta das condições ideais, deslocam as suas produções agrícolas para novas paragens.

Beneficiando de políticas que não se entendem, porque não promovem, nem a economia a médio e longo prazo, nem a sustentabilidade ambiental. 

Antes, colocam em risco a sustentabilidade social e ambiental do território - porque muitos potenciais produtores locais, sem qualquer apoio e massacrados por burocracias, já desistiram de lutar pelo interior e pela agricultura familiar. 

A qualidade do ar, da água e do solo

Como já se percebe em algumas zonas do país - as que estão num processo mais avançado de degradação social e ambiental - quando há abandono das pequenas explorações agrícolas locais, o que surge em seu lugar são monoculturas intensivas, zonas de mono floresta, ou a impermeabilização do solo.

As políticas, passadas e actuais, contribuem para a concentração da terra - esse bem tão precioso, e no entanto, tão desprezado - nas mãos de uma oligarquia, que olha para o solo, não como um elemento vital de presevação da vida, mas antes como mero suporte de:

Tudo realizado numa escala desumana, moldado por uma lógica globalista, de gestão dos recursos, que despersonaliza e desresponsabiliza, todos os intervenientes nestes processos - de impermeabilização do solo e destruição do nosso património natural, a uma velocidade incomportável e que coloca em risco a qualidade de vida dos nossos filhos.

Mas,

Qual a responsabilidade individual daqueles que são ‘somente’ funcionários dos grandes grupos económicos, ou da burocracia estatal, na destruição da qualidade do ar, da água e do solo, que pertencem a cada um de nós? 

E, como podemos distinguir a sua responsabilidade individual, da nossa própria responsabilidade coletiva?

É urgente Mudar de Visão 

Não deveríamos nós também agir, de modo a fomentar uma visão mais sustentável e mais amigável da vida no planeta, para todos os seres vivos?

E não deveria o estado - que gasta tanto na promoção das políticas de reciclagem e da famigerada economia circular - premiar a ação de todos os proprietários rurais e agricultores que, entre a tentação da especulação do solo e a preservação da sua biodiversidade, optam pela última.

Não deveríamos promover a preservação de todas as áreas biodiversas, em vez de promover:

  • o abate de árvores indiscriminadamente
  • a destruição da diversidade da vegetação dos campos
  • a limpeza "paranoica" das bermas dos caminhos
  • a utilização massiva de glifosato e outros herbicidas em tudo quanto é canto e esquina pública - fora dos centros urbanos
  • a utilização massiva de glifosato e outros herbicidas nos terrenos florestais e agrícolas 
  • o exagero de queimadas, na altura das limpezas de terrenos, em que vemos Portugal a arder de forma (des)controlada, como forma de prevenção dos fogos.
  • a contaminação dos aquíferos e das zonas de infiltração das águas da chuva com herbicidas, e até dos próprios rios
  • a destruição massiva de vegetação ripícola e das zonas húmidas
  • as ruas, pessoas e animais a serem contaminados com herbicidas, como o glifosato, ao arrepio da lei - por via da ignorância das pessoas que os aplicam -  faça chuva ou faça vento, por vezes até contaminando-se a si próprias também.
  • a destruição das moitas e silvados, nas bermas e nos valados, em plena época de nidificação, deixando muitas aves mortas, sem alimento, nem abrigo.

Numa espécie de bipolaridade coletiva - que ora destrói a Natureza, ora clama pela sua proteção.

Tudo isto, em nome da luta contra os fogos e da segurança de todos nós!

Ao mesmo tempo que se esgrimem argumentos em forúns da especialidade, e se apregoa, nas redes sociais, sobre:

  • sustentabilidade,
  • descarbonização, 
  • energias renováveis,
  • ciclovias, 
  • economia circular,

O elefante no meio da sala

E, no entanto, quase ninguém se digna a olhar de frente para o elefante no meio da sala. 

Mas, desde os mais ignorantes, aos mais sapientes, todos nós, na realidade sabemos, que antes de Portugal ser assolado por plantações massivas de monoculturas de pinheiros / eucaliptos, nunca os incêndios foram "o problema". Pelo contrário, faziam parte do processo de regeneração natural das florestas autóctones - do Minho a Monchique - que agora são ecossistemas em acelerada extinção, fazendo de Portugal um dos países europeus com menor resiliência aos fogos.

Por isso é Urgente Fomentar uma Visão mais Sustentável, nas Novas Gerações!

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Mariana Barbosa

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